Afirma o ditado que “depois de casa roubada, trancas à porta”, mas a melhor forma de protecção é mesmo garantindo a segurança da sua família, da sua casa e dos seus bens, diariamente. Por este motivo, é importante elaborar planos próprios que permitam avaliar alterações na ordem da segurança. A chave é criar pequenos mecanismos de defesa, baseados em parâmetros muito simples, que fazem uma grande diferença para o objectivo principal: a segurança.
Os alarmes nas habitações são um importante elemento de segurança, especialmente a nível de furtos. No entanto, apesar do desconhecimento de muitas pessoas, há diversos outros mecanismos que podem desempenhar uma função crucial na protecção. Entre estes incluem-se tanto “meros” mecanismos como as suas tarefas diárias e rotineiras, fáceis de avaliar e levar a cabo, como outras de incorporação simples no dia-a-dia. Todas elas com algo mais em comum além destes distintivos anteriores agora enunciados: são gratuitas, uma grande vantagem para a sua carteira e uma mais-valia que não é de ignorar.
Trancas à porta
A sabedoria popular é assertiva em parte daquilo que diz e a segunda parte deste ditado faz jus a essa sua característica certeira. É uma acção a ter em conta, não depois do furto, mas desde sempre. É essencial verificar se portas, janelas e outros elementos de entrada/saída de sua casa estão correctamente fechados, se existem molas com problemas ou outros componentes degradados em locais de acesso à sua habitação.
Não obstante, nunca se esqueça das chaves, que não devem estar perto da entrada, mas em divisões mais interiores da casa, como a cozinha. De preferência, guardadas numa gaveta ou qualquer outro objecto fechado. Pode parecer algo banal, porém, o mais ínfimo deslize pode dar azo ao que se pretende evitar. E lembre-se, “a ocasião faz o ladrão”.
Objectos valiosos: ocultos
Esta é uma das regras de essenciais e aquela que não se pode ignorar. Bens considerados como valiosos para si, tanto a nível sentimental como material, devem estar longe de olhares directos. Quer isto dizer que têm de permanecer fora do campo visual do “público”, daqueles em quem não se tem confiança.
Se, por acaso, a sua casa é rés do chão ou primeiro andar, com janelas muito pouco discretas para o seu interior, é de evitar ter cortinados por correr ou janelas abertas, mesmo com alguém por perto. Isto pode significar uma via aberta para que os possíveis larápios vislumbrarem da melhor forma o seu LCD, o seu computador ou o seu telemóvel. Estes são “alvos” fáceis e encabeçam a lista de artigos mais furtados e apetecíveis para quem os compra no “mercado negro”.
Documentos em local discreto
Hoje em dia há um sem número de informações que se podem retirar da internet, mas mais importante do que o que está acessível a quem procura, é aquilo que está “à mão de semear”: moradas, nomes, números de telefone, dados bancários… Tudo isto em facturas na gaveta da mesa do seu hall de entrada. Tudo isto bem perto para quem pretender saber mais sobre si, para fins menos nobres.
Talvez agora se aperceba que não é totalmente absurdo destruir as suas facturas e comprovativos de pagamento das mesmas. Estes simples elementos podem ser utilizados em esquemas efectuados com os seus dados e sob a sua identidade, que poderá ficar inevitavelmente associada a uma fraude que não cometeu.
Se a ideia de rasgar os documentos não lhe agrada, por deixar vestígios, faça algo mais definitivo: queime-os. No entanto, tenha algo ciente: tudo o que é relativo a pagamentos e elementos contabilísticos deve ser mantido por um período de, pelo menos, cinco anos. Esta janela temporal estava anteriormente fixada nos três anos, mas recentemente foi alargada a 10 (período recomendado).
No caso de serviços do Estado e Telecomunicações é mesmo aconselhável permanecer com eles em sua posse durante uma década.
Enumeradas as razões, a melhor opção é manter os documentos, por sua mão, num local adequado e discreto. Recomenda que estejam devidamente arquivados, longe de olhares indiscretos. Podem até parecer-lhe desnecessários a certo ponto, mas a verdade é que podem vir a ser-lhe muito úteis.
A certeza da rotina
O procedimento de seguir sempre os mesmos passos em determinada ocasião pode ser visto como algo superficial, todavia qualquer pessoa encontra nesta rotina uma segurança. Experimenta-a, mas não sabe de onde provém por ter origem neste “movimento” tão comum e insuspeito. É muito natural não se ter consciência de que parte (ou a totalidade) da sua segurança deriva de actos rotineiras, mas o ponto assente é que a sua origem é essa.
Há determinadas acções que não podem ser alteradas, como a saída para o emprego ou levar os filhos ou familiares aos seus compromissos diários. No entanto, também há aquelas ocasiões que podem ser realizadas por uma ordem mais aleatória, como a deslocação ao hipermercado, ao ginásio ou a saída de domingo à tarde. São estas acções que podemos alterar e tornar menos rotineiras, pelo menos no carácter horário. Sempre que puder modificá-las, faça-o.
Desconfie dos uniformes
É um dado adquirido: o ser humano tem o hábito de atribuir imediata confiança a pessoas de uniformes. E por uniforme não se entende apenas a de electricista ou funcionário dos correios (informais), mas também os pertencentes ao chamado “colarinho branco” (formais): venda porta-à-porta de serviços e outros semelhantes. Geralmente estas pessoas têm boa apresentação e utilizam uma linguagem clara, simples, mas não simplista, características muitas vezes utilizadas e reproduzidas por vigaristas que procuram ludibriar o máximo de vítimas possível, tirando partido desta aceitação prévia que a “pele” que vestem e encarnam temporariamente lhes confere.
Actualmente são cada vez mais as pessoas que recebem visitas deste género. Se decidir abrir a sua porta, a primeira regra é pedir a identificação, que também ela pode ser falsa. Por isso, é extremamente aconselhável agir com precaução. É certo que grande parte das pessoas que lhe batem à porta representam entidades verdadeiramente credíveis e podem ter boas intenções ou propósitos legítimos. Porém, tenha sempre em mente que “as aparências iludem” e faça uso prático da redundância da seguinte expressão: confie, depois de desconfiar.
Mais vale prevenir do que remediar
Os conselhos apresentados não são uma linha única a seguir, mas podem ser considerados bons princípios para o seu próprio manual de segurança. Comece por experimentar algumas destas recomendações e analise se o ajudaram a sentir mais seguro. Quanto aos efeitos práticos, espera-se que não tenham de se fazer notar. E não se esqueça que “mais vale prevenir do que remediar”.